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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Por que é tão díficil amar as pessoas

Desde os meus quinze anos de idade eu busco respostas para o sentido da vida. O que faz o mundo ter sentido ?

O mundo e a natureza são bélissimos, são como uma pintura de quadro, com vários significados, momentos e expressões. Mas o que faz esse mundo ter sentido ? Essa resposta eu chamo de pessoas.

Hoje o mundo vive em um caos e o por que isso acontece se fomos criados iguais e somos iguais independente de qualquer tipo de cultura? Sim, somos iguais porque todo homem quer amar e ser amado, esse é o sentido da vida, "amar". É difícil para muitas pessoas amar ao próximo e trocar honestamente umas com as outras porque criaram um sistema, cujo intúito, é a troca por meio de valor monetário, e a finalidade deste sistema é o "lucro", onde tem separado os homens de sua natureza humana. Todos querem o máximo de lucro possível e somos ensinados pelo sistema e pelos bancos acadêmicos a maximizarmos os lucros e a darmos muitos resultados através do lucro.

O acumulo de capitais criou castas e o poder. E ter dinheiro significa poder e estar bem. Quando uma pessoa pergunta sobre a outra, e como está ele ? A outra diz: - Está bem, comprou carro, apartamento, trabalha na empresa (x)....Mas e a felicidade real aonde fica nesta história ? Os bens de troca significam felicidade ?

O caos está gerado pelas lideranças que só querem acumular lucros e dominar as situações. As pessoas trabalham 12 horas por dia para pagarem suas contas e esperam que isso lhe gerem mais lucro, e com isso, ninguém mais respeita ninguém. O respeito pelo próximo desapareceu.

Recentemente fui a palestra do empresário mais rico do Brasil e ele disse: - Sou um soldado do Brasil, trabalho pelo Brasil ! Mas qual sua contribuição pelo Brasil ?

Será que se ele não recebesse concessão do governo para monopolizar a exploração dos minerais como recebe, se não tivesse nascido em uma família rica, se não tivesse políticos no conselho da empresa garantindo o poder, se não tivesse este acumulo de capitais ele diria isso ? Ele explora as reservas minerais do país e aquele funcionário dentro do garimpo que trabalha pelo acumulo do lucro dele nem é lembrado e ainda recebe 0,000x% do seu lucro total.

Será que ele diria isso apenas se fizesse algo pela outra pessoa sem receber nada em troca ? Fazer por amor ? Acho que não.

Fato é que todos pagam um preço alto por aqueles que controlam a economia. Este controle gera guerras e os governos não se importam com a luz e o amor das pessoas. Pelo poder e o lucro matam pessoas na guerra.

Todo mundo sabe disso e ninguém faz nada por isso. As pessoas assistem o declínio da humanidade e apenas culpam os políticos. Acho que a solução não é apenas remover estas pessoas do poder, mas sim, reverter o mal com amor.

Dá para fazer ! Temos que fazer ! Basta imaginar e fazer ! Não sou um sonhador ! E se isso me faz um sonhador, então que eu sonhe...Que eu viva pelo o amor...Eu faço minha parte porque acredito que o sentido que me faz viver na Terra é o amor ! Só o amor !

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Carta aos professores

“Aos professores, fica o convite para que não se descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas a serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco, a sociedade muda.”
Paulo Freire


Assisti ontem o Programa Canal Livre na TV Band comandado pelo Economista e Jornalista Joelmir Beting e os comentaristas Fernando Mitrê e Antônio Teles com o debate sob o tema “Educação Maternal”. Como está o processo de evolução de aprendizagem e sociabilidade das crianças nas escolas brasileiras e seus reflexos na sua formação?
Mas o que realmente me chamou a atenção foi a seguinte afirmação da Educadora Gizela Wajskop:
- “As crianças de 1 a 6 anos são ensinadas a memorizarem as palavras, objetos e pessoas,e não a despertarem seu processo criativo de aprendizagem, curiosidade e visão das coisas que formam e podem ser o mundo.”
Diante desta afirmação fico a pensar que este método de ensino é arrastado até a hora do vestibular. Mas o que é o vestibular?
De acordo com o dicionário é um exame de admissão para o nível superior.
Mas este método classifica realmente as pessoas preparadas para receberem este grau de saber? A pessoa que passou no método de avaliação “vestibular” das Escolas Públicas ou das Escolas Privadas consideradas de nível elevado podem-se auto-afirmarem como sendo as mais inteligentes e capacitadas? Em minha opinião não.
Acho este método totalmente fracassado e ultrapassado.
Eu gostaria de sabatinar após 1 ano de curso nas Faculdades os ex-vestibulandos e perguntá-los sobre matérias de química, física, língua portuguesa e geografia para saber se sabem realmente.
Tive esta experiência na ex-empresa que trabalhei. Um jovem trainee da USP fora perguntado sobre o que era um Dígrafo, Elipse e uma Metonímia e ele simplesmente respondeu:
- Ah, não sei! Na época do vestibular eu sabia!
Infelizmente as Empresas e Corporações creditam que ao contratarem funcionários da Universidade X ou Y estão contratando os mais sábios, pois, foram capazes de passar no vestibular da suposta instituição.
Pois bem, vamos voltar a fase da maternidade.
O que esta educadora e as demais debatedoras presentes no programa ressaltaram foram que a escola maternal e o ensino doméstico devem ensinar as crianças a voarem em seus pensamentos, despertando a criatividade por meio da curiosidade e questionamentos, permitindo-os vários significados e não robotizarem-nas apontando objetos e repetindo até memorizarem.
O fato é que os professores são mau formados e ainda a sociedade elimina a alma da criança já a preparando para ser um adulto para o mercado de trabalho. Observem pais que colocam as crianças nos Idiomas para garantirem um bom emprego futuramente.
O valor do lugar chamado “escola” e da palavra “criança” está desaparecendo.
Lembro-me exatamente dos meus professores do primário. Maria Lúcia, Egne, Salete, Carlos Verdasca, Etiene, Gino, Suzana e claro da brava Diretora Mineko.
Grande parte da minha formação educacional e pessoal eu credito a esta Escola Estadual. Ali fui ensinado e despertado como uma águia para as Artes, Poesia, Esporte, Literatura, Música e Danças.
Foi nesta escola que eu conheci o folclore e a cultura rica do meu Brasil.
Cantávamos todos os dias antes de entrar para a sala de aula o hino nacional brasileiro e cantigas de roda.
Comemorávamos todas as datas festivas e históricas saindo às ruas, interpretando em mini teatros e também por meio de danças.
Também foi nesta escola simples e sem muitos recursos que me apaixonei pela primeira vez por uma menina aos 7 anos de idade e aos 9 anos pela professora.
No dia dos professores presenteávamos aos mestres e chorávamos homenageando-os porque eles nos ensinavam com amor e dedicação, e sou grato, por tudo que fizeram por mim.
Hoje sei que aqueles mestres eram bem capacitados e fora da regra normal de educação, além de ensinarem com amor pela profissão, pelas crianças e pela pátria.
Enfim, o que falta é um sistema unificado de ensino para deixarem as crianças voarem, a terem contatos com os livros desde seu primeiro ano de idade, a viajarem nas imagens e sons, a pintarem sem razão, a pularem de emoção e o principal, de viverem e aprenderem como águias ao vôo do amor. Só assim formaremos crianças em uma sociedade mais equilibrada e criativa independente da camada social.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A pérola

“Quando você faz algo não esperando ser amado, mas faz algo porque ama as pessoas, você descobre que ajudou a evoluir o mundo”
Juca de Oliveira


Assisti a entrevista do Ator e Diretor Juca de Oliveira no Programa Marília Gabriela na GNT e me extasiei com a pessoa que ali eu conheci.
Contagiou-me com seus ideais, sua entrega a arte, sua sensibilidade e seu senso de coletividade.
Identifiquei-me com sua pessoa.
Em todas as realizações e atitudes que tive na minha vida foram porque amei as pessoas não esperando nada em troca, mas porque acredito que quando você está a serviço do coração, você está liberto de si mesmo.
Rubem Alves faz a seguinte comparação, “A ostra só produz pérola quando grãos de areia machucam sua carne, em resposta a dor, ela cria a pérola”.
E com os seres humanos é igual, só criamos algo, quando somos machucados, seja no amor, no trabalho, na amizade e etc...
Acho que a dor é o nosso estímulo para a vida. Sem a dor ou a curiosidade, não produziríamos nada e nossa evolução estaria condenada.
Mas a dor só é vencida e edificada quando você devolve através dela amor para as pessoas. Devolve pérolas.

Desde que me entendo por homem sou machucado pela dor da desigualdade e do sonho de ver o mundo igual para todos. Acho que por isso que partes das idéias comunistas me contagiam.

Dalai Lama diz que as pessoas não descobriram ainda que o segredo da felicidade é quando você faz algo para outra pessoa ou com outra pessoa. Acredito nisso também. Não que você deva anular sua vida ou viver paras as outras pessoas, mas quando justamente você faz algo porque ama as pessoas não esperando nada em troca.

Acho que por isso que nunca tive ressentimentos, mágoas ou qualquer sentimento negativo com meus casos amorosos, porque fiz com amor não esperando em ser amado.

Gosto da Arte, considero-me mais um Artista do que um Administrador. A arte me alimenta.

Hoje meu coração é machucado por um grão de areia, mas eu devolvo essa dor em duas pérolas.
A pérola da Poesia e a Pérola Renato Russo,

“Não me entrego sem lutar, tenho ainda coração, não aprendi a me render, que caia o inimigo então.
Tudo passa, tudo passará. E nossa história não estará pelo avesso assim sem final feliz. Queremos coisas bonitas pra contar, até lá, vamos viver, temos muito ainda por fazer, não olhe para trás, apenas começamos, o mundo começa agora, apenas começamos...”

(Música: Metal contra as nuvens)

domingo, 23 de agosto de 2009

A balada ...

Ontem a convite de dois amigos eu fui a uma Casa Noturna em São Paulo ou no termo mais jovial, fui numa “balada”.
Faziam-se mais ou menos dois anos da última vez que freqüentei este tipo de ambiente.
Confesso que eu estava empolgado. Mas talvez pelo motivo de por estes meses eu estar trabalhando muito e não ter muito tempo para o lazer pessoal. Acho que a balada me proporcionaria alguns momentos de prazer e descanso. Mas mais uma vez eu me iludi.
Após 15 minutos da nossa entrada no estabelecimento que por sinal possui uma ambientação bastante moderna remetendo a alusão ao gelo, minha sanidade foi chegando como uma foice e foi desmistificando todo aquele suposto prazer, e fez a figura do homem Maurílio congelar-se naquele momento.
Então resolvi caminhar pelo salão. Fiquei pensando que este choque poderia ser a maturidade dos meus 24 anos mas não era. O que pesava e acusava na minha mente eram os meus valores e ideais de vida.
Então parei em uma pilastra de frente para a pista de dança e comecei por horas a observar aqueles jovens. O sociólogo começava ali a refletir.
O ambiente era composto por adolescentes e jovens de 17 a 22 anos de idade de classe média alta, que por sinal, o público feminino era em maior proporção.
Extasiados pelo som da batida eletrônica, dançavam motivados pelas marcações da batida e não pela harmonia musical.
Este estilo na minha concepção trouxe para a nova geração o distanciamento entre homens e mulheres pelo prazer da dança e as sensações de conquistas e químicas pessoais.
Pulando e gesticulando movimentos com os braços e segurando copos ou garrafas long necks de bebidas nas mãos, dançam e dançavam a uma distância de mais ou menos 1 metro um do outro em proporções separadas por rodas de amigos ou de fronte para o DJ.
Aquela sensação gostosa de dançar colado em par entre homem e mulher, de conversar aos ouvidos, de respirar, de sentir o toque, de olhar nos olhos, de ser levado e levar pela harmonia e a poesia da música, foi realmente substituído nestes tempos modernos, o mesmo previsto por Chaplin.
Então fiquei observando o processo de conquista e os desejos das pessoas naquele lugar e cheguei as explicações Freudianas.
As pessoas são conduzidas e vivem no centro dos desejos sexuais da infância. O que estes adolescentes e jovens estão buscando na verdade, é a substituição dos desejos sexuais e afetivos que sentem pelos pais através da experimentação e encontro no outro.
A atração e a libido fazem com que quantifiquem experiências, que permitam suas loucuras e desejos, e assim, realizem suas fantasias. Fantasias reprimidas na infância. Assim trocam informações e experiências com os amigos sobre as sensações e momentos vividos com o outro, também em substituição e rompimento com a figura materna e paterna.
Por isso que nesta fase preferem o “Cala a boca e beija”, “Já chega beijando”, “Já chega passando a mão”...Porque esta é a fase da natureza humana de descobertas e experimentações sexuais reprimidas na infância e também de formação da pessoa.
Mas apesar desta natureza humana, os valores também mudaram. Quando eu digo valores não me refiro a moralismo ou dogmas, me refiro aos sentimentos bonitos ou o belo.
Hoje tudo gira em torno apenas do sexo. O avanço tecnológico, cultural e social está fazendo morrer os valores belos primitivos. Os homens e as mulheres se vêem como animais em cumprimento do prazer ao ato sexual e estão esquecendo-se dos sentimentos.
O troféu ou o reconhecimento do homem é o “Pegou Quantas” ? E se pegou é porque o sexo oposto permitiu o garanhão se consagrar.
Eu vejo a balada como uma compra de prazer por 5 horas, onde o homem e a mulher vão para satisfazer aquele instinto momentâneo.
Depois dali, vão para os seus lares e adormecendo esquecem o que se passou.
Além disso, é fácil observar que o tônico de coragem para quantificar ou sobreviver na balada são as bebidas alcoólicas. Grupos reúnem-se e compram garrafas de vodka com energético, pois o teor de álcool faz subir mais rápido anestesiando o medo. Também whiskys e dezenas de cervejas contribuem para o disfarce, pois “sãos’, não têem coragem de libertar suas loucuras e instintos selvagens para se aproximar do outro, não que isso seja uma regra.
Outra coisa interessante no ambiente são os “barmans” e “promoters” usando da suas influências na casa ou autoridade para satisfazerem seus desejos sexuais.
Conseguem despertar um vínculo de auto-ajuda entre os sexos em promessa de retorno ao local com regalias.
Enfim...
Ao longo da minha vida venho a cada dia aprendendo a olhar e a respeitar as individualidades das pessoas e também a buscar respostas para o mundo.

Mas congelei-me porque a minha individualidade é outra e diferente desta, e tudo que eu falo, leio e vivo, estaria morto ali naquele local e com aquelas pessoas, se eu me juntasse ao pensamento coletivo delas.

Minha opção é ficar com o meu poeta e gerente das Palavras.

“Ouça-me bem amor,
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho.
Vai reduzir as ilusões a pó ...”
Cartola