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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Minha Felicidade tem um nome ...

Tenho andado ultimamente angustiado.
“ Havia um homem que andava muito triste e resolveu procurar um médico. O médico analisando-o chegou a uma conclusão.
- Seu remédio se chama sorriso. Minha receita é que você vá ao circo da cidade e assista aquele palhaço. Ele vai te fazer rir muito e você vai se sentir bem melhor.
O homem então respondeu ao médico:
- Doutor, o problema é que aquele palhaço do circo sou eu! "

Por estes dias tenho me sentido como este palhaço. Triste. Resolvi Domingo viajar de trem para Campo Limpo Paulista para uma confraternização com ex-colegas profissionais de empresa.
Eu precisava disso. Viajar, ver quieto e parado pessoas, paisagens, respirar um novo ar e refletir comigo mesmo.
Este mesmo exercício de reflexão eu acabei perdendo deixando o mundo coorporativo pois, sempre utilizei e ainda utilizo os meios de transportes público. Nas viagens longas de ida e volta do trabalho que eu fazia, era o tempo que eu lia meus livros, vivia e observava diferentes pessoas e escutava diversas histórias de vida.
E hoje como empreendedor acabei perdendo parte deste momento mágico.
Nesta viagem a Campo Limpo Paulista, a cada trecho que eu andava eu ia me perguntando: - Por que estou assim? O que me falta?
Pensei, possuo como amigos as melhores pessoas do mundo. Possuo uma família maravilhosa. Possuo um trabalho realizador e prazeroso. Por que estou assim?
Por horas em silêncio eu buscava respostas.
Então começou a vir na minha cabeça uma música do FLG e cenas da banda gospel que eu tocava. Uma música linda que dizia o seguinte:
“ Eu já chorei. Eu já sorri. Eu já tentei, mas desisti. De encontrar respostas pra tudo que eu fiz. Se valeu ou não a pena ainda vou descobrir.
Eu já lutei e até venci. Eu já contei, mas eu perdi. A conta das pessoas que eu já conheci, mas nenhuma delas tinha o que eu procurava até que um dia, Achei em Deus o que eu sonhei, O que eu quis, Achei em Deus pois ele tem o melhor pra mim.”

Com esta música soando na minha cabeça, aguçando meu juízo,
e arrepiando meus braços, eu comecei a chorar e reconheci que eu havia abandonado minha intimidade e a minha presença com Deus.

Sem Deus eu sou vazio. Eu me entristeço. Não sou ninguém. Vivo sem existir.

Deus, uma força invisível, sobrenatural, uma luz de paz e harmonia que preenche a minha alma.
Para muitos a bíblia é um romance. Mas se é um romance com um “personagem” principal (Jesus Cristo) que veio a Terra para ensinar o amor, a igualdade, a justiça e a promessa de nos levar para um lugar especial onde não haverá doenças, morte e sofrimento. Apenas amor, paz, alegria e harmonia. Por que não desejar e acreditar nisso?
Não entendo porque os homens fazem questão de duvidar disso, de uma história com um final feliz.

Chegando em casa, li os seguintes versículos na bíblia.
João 14:1,2 “Não se turbe o vosso coração: credes em Deus, credes também em mim.
Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar. "

Nietzche, grande filósofo alemão, produziu teorias que Deus não existe e Jesus é um mito. E que na verdade tudo depende de você e não de um ser supremo.
Concordo com Nietzche e acho que ele achou o principal significado da vida. Mas ele vivia com depressão, triste, enxaquecas crônicas e morreu de desgosto pela vida.

Acredito que tudo depende de nós até um limite e cada um tem um plano e missão de vida na Terra. Se Nietzche tivesse deixado Deus preencher o seu vazio, com certeza ele não sofreria e não viveria sozinho, porque ele ia ver que existe alguém que o ama, e esse amor ia o ajudar a ter mais Ânimo e Fé na Terra. E ele seria um homem completo nesta vida. Porque apesar de todo inteligência, lhe faltava algo. E esse algo se chamava Deus.

Assim em casa sozinho no meu quarto, olhando para o céu, eu comecei a conversar com Deus. Falei como um filho para um Pai. Abri meu coração com sinceridade. Deixei ele entrar no meu coração e mexer com minha estrutura.
E fazendo isso eu reencontrei a felicidade, a fé e alegria que eu havia perdido.

Mais uma vez eu tenho certeza que não vivo sem Deus e também ele não vive sem mim. E esse lugar que eu tanto desejo, de paz, amor, pessoas boas e de alegria, ele me levará. E estarei junto com ele. Junto da vida

sábado, 15 de agosto de 2009

Para onde vou ?

"Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você."
Sartre


Meditando sozinho comigo mesmo, na solidão amiga da minha alma, fiz uma viagem no tempo da minha vida e me peguei nos meus 11 anos de idade.
Menino em formação, sonhador, amante das aventuras cinematográficas e dos livros de história, ganhei meu primeiro prêmio estudantil de Poesia, com o título "O Serafim" na Escola Estadual Profº Luiz Gonzaga Righini, e ali mesmo, com meu professor de Língua Portuguesa que nunca mais o esqueci, “Carlos Verdasca”, tive meus primeiros contatos com a mitologia
grega e o interesse pela literatura brasileira. Também foi nessa escola freqüentada por uma Comunidade Pobre que as maiores lições de vida e aprendizagem, semearam o homem que sou.
Criado em um berço protestante, aprendi a amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo. Além disso,"Eu tudo posso" pois, Deus me fortalece.
Comecei a trabalhar com 14 anos de idade, talvez seja o motivo de eu ter amadurecido tão depressa.
Me lembro perfeitamente do meu primeiro emprego. Adolescente e inexperiente, posto entre Juízes e Desembargadores no Tribunal Regional Federal em São Paulo.
Nesta época pensei em ser Advogado e Juíz, mas acredito que nesta vida tudo se tem um plano e escolhas, e hoje eu tenho certeza, que esse não era realmente meu plano de vida.
Desde a adolescência sempre gostei da solidão. De estar sozinho. Mas hoje percebo que na verdade eu gosto das fantasias que a solidão me permite idealizar. Mas no fundo a solidão é uma desculpa.
É na solidão que eu penso, que a dor desperta em mim meus principais anseios e loucuras e me pressiona sobre minhas decisões. Também é na solidão que o Maurílio vai conhecendo e descobrindo a natureza humana e vai se desligando cada vez mais deste mundo.

Mas as decepções, dúvidas e questionamentos começaram-se mesmo a surgir a partir dos meus 15 anos.
Freqüentei desde minha infância os bancos da Igreja. Uma igreja simples, de pessoas pobres e humildes, mas harmonizadas com os ensinamentos que o então líder nos ensinava.
Após sua morte, o que era para ser um legado virou uma Utopia, e pela falta de sensatez e instintos falsos de uma sobrevivência obscura pelos membros, conseguiram afastar-me da instituição e fizeram-me questionar sobre que tipo de "Deus" que eu acreditava. E hoje eu sei que estou certo.
“Se Deus é as flores e as árvores, o sol, o monte e o luar, então eu acredito nele. E minha vida será uma eterna oração.” Fernando Pessoa.
A partir dos meus 19 anos, instigado pelas novas descobertas e busca das razões, fui assumindo e libertando minhas loucuras.
Sim, a Filosofia, Literatura e Psicologia foram respondendo-me os sentimentos, desejos e culpas que minha mente me sentenciava, e por ser ainda tão jovem, eu achava que não pertencia a este mundo.

Na Universidade não foi diferente. O ideal que eu acreditava era só parte das minhas fantasias, e ali fui conhecendo as maiores burocracias e sepultamento de vidas humanas que já presenciei nos meus dias para os Jovens, futuros das nações.

Mas agora era diferente, o Maurílio já era um homem formado e com a capacidade de escolhas e atitudes do seu futuro.

“O que vou fazer com aquilo que estão fazendo comigo ?”

Mudar, reagir, melhorar, propor e viver a vida como ela é, sem dogmas. Cazuza disse na letra Ideologia, “Meus heróis morreram de overdose e os meus inimigos estão no poder”. E pra mim, quem são meus heróis ?
São eles, John Lennon, Mahatma Ghandi, Martin Luther King, Malcon X, Darcy Ribeiro, Elvis Presley, Geraldo Vandré, Zumbi dos Palmares, Santos Dumont, Karl Marx, Albert Einstein e ...

Homens que fizeram a diferença e não aceitaram a normalidade desse Mundo. Fizeram de tudo para mudar, melhorar e abrir os olhos da vida, para um futuro justo e equalizado com o “Mundo Melhor”.

A então saga árdua começa. Vivendo e observando a minha geração sendo ensinada a sermos robôs regrados, sufocados e comprometidos com o progresso do capitalismo a custo do individualismo e da troca da vida pela morte nos bancos das Universidades e da sociedade atual, fundei com mais um grupo de alunos o Diretório Acadêmico Darcy Ribeiro. Um grupo disposto a contribuir com a sociedade, trazer esperança e evolução de vida para os Jovens.
Foram muitas batalhas e perseguições na Universidade por um Senhor da Guerra, um homem vazio e vingativo que se esconde atrás da Seita Tradição, Família e Propriedade da Igreja Católica, só por que queríamos que formassem cidadãos e não apenas profissionais de trabalho.
Um dia ele pensou que havia me matado, mas ele foi derrotado ali no palco da colação de grau com meus amigos e pelo nome Maurílio que ficou na história da instituição.
Passei por três grandes multinacionais. Trabalhei com pessoas de diferentes países, perfis, personalidades, capacidades e o monstro chamado “ Pensamento Coorporativo” não foi capaz de trocar minha personalidade, virtudes, sonhos e vender minha alma ao Diabo em troca do Crachá, Ticket, Bônus e um nome na Carteira profissional.
Militei na Política. Corruptos, ladrões e interesseiros também não foram capazes de mudar a minha auto-estima e a desacreditar do meu Brasil.

Enfim continuo lutando pela diferença. A diferença sadia que agrega, que liberta, que transforma pra melhor e me faz sorrir com as crianças.

Possa ser que como Darcy Ribeiro, eu tenha mais derrotas do que vitórias. Mas a esperança em mim ninguém jamais irá matar.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A máscara da coragem

"E-mail virou tônico de coragem para os tolos."
Gilberto Gouvêia
Há muito tempo que as relações humanas têem-se esfriado com o avanço da tecnologia. O MSN, Skype, Orkut, E-mail e as demais redes virtuais tem separado os homens de olharem nos olhos e se expressarem verdadeiramente. O sentimento foi ocultado pelas Telecomunicações.
Acho que o e-mail foi a principal invenção no mundo coorporativo para os fracos e para os advogados, afinal, a coragem que não têem de falar face a face, "valentiam-se" nas palavras do email e ainda munidos do cagaço, criam pastas para guardarem os corajosos emails como fontes de provas contras as outras pessoas. Claro, está tudo registrado pela máquina !
A divina comédia coorporativa é muito engraçada mesmo. O engraçado é que os atores desse teatro, recebem constantemente morfina em sua veias com palestras sobre liderança, atitude, feedbacks, livros de auto-ajuda pelos recursos humanos, saem valentes da sala daquele dia e após o dia, continuam-se sem culhão e vegetando sobre os cordões do seus crachás.
Mas não quero ser mesquinho de reduzir esta falta de culhão apenas ao mundo coorporativo. A verdade é que vivemos hoje, como diz meu amigo Luciano Pires, na República do Cagaço.
As pessoas tem medo de se olharem nos olhos, de falarem o que sentem, de tocarem umas nas outras, de terem atitude de mudança, enfim...
Até a paquera foi substituída pelo msn e pelo torpedo do celular.
A letra "Fogão de Lenha" escrita por Carlos Colla, Maurício Duboc e Xororó e interpretada pela dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó, trás a figura principal das relações humanas no Interior dos Estados, o próprio fogão de lenha.
"Fogão de lenha, e uma rede na varanda, arrume tudo mãe querida que seu filho vai voltar..."
O motim das famílias interioranas é sentarem na beira do fogão de lenha e prosiarem umas com as outras. Quer coisa mais bonita e evolutiva do que isso ? Até ali é motivo de trazerem os erros e as diferenças entre si, e com a nobreza de olharem no olhos, sepultam com as palavras a desarmonia.
Acho que se as pessoas olhassem mais nos olhos umas das outras e se expressassem da alma sem medo, com certeza o mundo seria diferente.
E não teríamos mais que viver, de acordo com Nietzche, com a máscara da moral e do medo, alimento para o teatro da vida.

domingo, 9 de agosto de 2009

Juventude Adormecida

" Talvez você diga que eu sou um sonhador, mas não sou o único. Desejo que um dia você se junte a nós, e o mundo então, será como um só ."
John Lennon
Acabo de assistir o Programa "Em Questão" comandado pela apresentadora Maria Lydia, cujo entrevistado desta noite foi o Senador pelo PMDB Pedro Simom (RS).
Questionado sobre a atual crise no senado e as perspectivas futuras da moralidade política, ele terminou a entrevista com a seguinte chamada:
"Povo brasileiro, Jovens, Trabalhadores e Intelectuais, não esperem nada do Congresso, eles não irão resolver. Só haverá mudanças se vocês sairem a ruas ou virem aqui na porta do congresso e cobrarem a moralidade política.
Cade os caras pintadas ? Cade a Une ? Cade aquela geração que um dia lutou pela democracia e por um novo país ? Só vocês serão capazes de mudar a situação ."
Após esta chamada a então apresentadora o faz pensar. Se a sociedade civil há mais de 15 anos assisti a imoralidade e a impunidade e não reage, como o senhor espera que agora se faça valer os direitos de cidadão ?
Automaticamente minha mente voltou a 1960 a 1980. Uma geração de ideais, participativa e de pensamento construtivo. O que houve com a história ?
Lutamos por um mundo sem guerra e com mais amor. Lutamos pela esperança. Lutamos pelos nossos filhos e gerações. E hoje assistimos o sangue e o suor daqueles que lutaram pela democracia e pelo Brasil, sendo destruídos e apagados pela corrupção, imoralidade e impunidade pelos mesmos que um dia também estiveram lutando.
Esta geração senador, envelheceu e está embalsamada no museu de nossas memórias.
O dinheiro e o poder corrompeu a mente, a moral e o ideal desses guerreiros senador.
O que o intelectual, sociólogo e ex-presidente Fernando H. Cardoso escreveu em seus livros, ele fez ao contrário com o poder nas mãos. O que o retirante nordestino, metalúrgico e trabalhador falou sobre moralidade, ele esqueceu com o poder nas mãos.
Estamos conformados com a situação. O Capitalismo e o individualismo do ser humano está conduzindo a atual sociedade e juventude a se conformarem com o cenário destrutivo.
Nossos jovens dormem. Nossos pais reclamam e o nosso Brasil apodrece.
Aonde vamos chegar ?
Fico a pensar que o avanço que o capitalismo propôs ao mundo, reduziu o homem ao direito de viver sem vida aqui na Terra.
Homens se adaptam e não se expressam. Vendem seus direitos. Apagam seus sonhos.
E assim, vivem em um submundo infeliz e consumista.
Ainda com todo avanço, admitimos e vivemos o "belo" dos tempos passados, porque são o que precisamos ver, ouvir e viver. As melhores músicas, poemas, ideais, livros, líderes e assim sucessivamente ainda são da geração passada.
Hoje o mundo se tornou medíocre. E a mediocridade assola nosso país.
Os jovens pensam como assalariados e não como desenvolvedores econômicos. Os jovens pensam no que os outros vão pensar, e não no que eles podem oferecer. Os jovens pensam no pronome singular e não plural, afinal, cada um com os seus problemas.
Enfim, com tudo isso, eu aindo tenho esperança. Acredito que se ainda uma pessoa fizer a diferença a esperança estará viva para acreditarmos. E até o dia da minha morte, eu vou tentar de alguma forma, fazer a diferença, porque homens pra mim não são feito de títulos e sim de coragem.